Esse é mais um arquivo, onde jogo minhas roupas velhas e ali esqueço, do que escritos convencionais. Pego minhas palavras soltas, lavo, dou cheiro, cor, gosto e asas para que possam, enfim, sair de mim e tomar o formato do sentido de quem lê. Não foi feito para ser admirado mas se quiser entrar, sente-se, não faltará cal para a nossa construção.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Caminhada
Segue de repente essa vida indolente
Mente pra entrar no carnaval
e fingir felicidade inexistente,
Mas anda,
Foge da gaiola, passarinho
Voa pra encontrar um novo ninho
Pousa e repousa até cansar
E anda ainda mais
Anda pra sentir a liberdade
Anda para ter felicidade
Anda para encontrar a paz..
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Claridade
eu não sou caminho pra seguir em segurança
Passada essa tempestade
pega a passagem e anda;
A claridade me curou
me guardou da solidão
tocou em mim, como clarão,
cegou,
mas me fez enxergar o que não via
dentro de mim é que se escondia o meu maior pesadelo
Já não fujo mais do sono,
a claridade me ninou,
iluminou meus pés e passos
carregou os meus pedaços quando tudo já não estava
E se o Sol precisa se pôr
Vá
Faz da tempestade claridade,
ilumina nos meus olhos a saudade,
E enche de vida outro lugar...
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Meu barco sou eu
E se querem saber quem eu sou é só preparar a bagagem, nessa minha viagem não cabem sonhos, nada de planos, esqueça o leme também, eu só vou a favor do vento procurando num destino incerto apenas a hora certa de chegar.
domingo, 10 de maio de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Por ser volúvel
Volúvel, adj., do latim, aquele que gira, inconstante, variável, da botânica é o vegetal que se enrosca.
Você me diz que sou volúvel. Inconstante, talvez instável, variável como o mar, talvez ser mar nesse furacão seja a única maneira de evitar meu próprio naufrágio, frágil barco navegador, sou apenas espasmo de um coração que atirei no infinito.
Talvez seja tão volúvel quanto um pião, que se gira facilmente, uma saia na roda a dançar, uma cigana a volver, a te envolver, a te girar nos meus olhos, a me dançar nos teus braços, e eu, frágil menina, mulher só tua.
Volúvel, sim, talvez, em insistir em te querer entrelaçar. Tão volúvel quanto um caule que se espira, se prende, prende como uma serpente o objeto ao seu redor. Mas meu objeto é apenas o objetivo de te arranhar, te enlaçar e te fincar junto ao meu corpo, de ser volúvel pra te enfeitiçar em meus giros, pra te girar até meu precipício, pra te encantar e te mostrar que é inevitável não querer.
domingo, 29 de março de 2009
Cada pedaço
Pinga minha vida como escorre a água da chuva, ninguém sabe ao certo pra onde vai, ou o que se tornará, como o leite derramado e embebido pelo chão, vai meus pedaços a cada volta do relógio.
Faço e refaço minha sinfonia, instrumentos e instrumentistas se misturam. Cada um vai tocando em sua melodia, de forma irregular, o espetáculo desafinado de estar vivendo
Sinto tudo se esvaindo, pedaço por pedaço, vestígio por vestígio, só não me passa essa vertigem de querer saber além. Perceber que me jogar já não é suficiente me faz perder o pouco chão que tenho, se é que tenho chão. Na imensidão desse céu, de concreto, é só meu coração que pulsa, ainda pulsa a flutuar.
Gira o Sol acima da minha cabeça, correnteza que vai a me levar, pedaço por pedaço, vestígio por vestígio, tudo para vê se finjo que a moldura está completa. Para ver se existo cabal nalguma pintura, para ver se pinto minhas partes incompletas.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Nossa imensidão
Eu fico olhando esse mar, a correnteza converge tudo em saudade e a areia molhada das tuas lágrimas absorve meus pés descalços. Minhas mãos sempre vazias portando apenas no meu dedo o peso de um anel. Confiro doze conchas no chão, é o dia certo para estar ali.
Tento mergulhar e cada vez mais fundo, encontrar lá no fundo do mar algum esconderijo em que a tua ausência não me alcance, romper uma onda e submergir sereia, olhar teus olhos infantis em qualquer gota de sal, de água, de chuva. Poder tocar o mar, mergulhar o céu. Nos teus braços me encostar e, enfim, renascer.
Hoje eu quero chuva, Sol já é tua pele contra a minha, queimando e ardendo, luz do querer, de ainda te querer, a cada dia e noite, como a lua nua em versos.
E se eu sou a lua, enquanto o calor do teu sangue me mantém, teus olhos são estrelas que me cercam, guiam, iluminam e se por vezes morrem, continuam a olhar por mim infinitamente e incansavelmente até que o amanhecer e a noite se encontrem no horizonte. Lá que teu corpo inflama a minha paz. Lá... onde o sol, a lua e o mar viram uma só imensidão.