quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Já não me impulsiono mais no
pulso do meu coração
Agora pondero, não mais deliro
Às vezes deliro de tanto ponderar
Não tento me achar,
me esvario
Em qualquer rua, quaisquer águas
qualquer esquina...
Me entrego pra mim mesma
como escoa um rio
Sempre ritmo e cristalino,
desaguando para se juntar a poesia
Já não me pulso mais com
a frequência do meu peito
Mas não deixo de deixá-lo inflamar
Queimar-se em qualquer fogo
me incendiar
Vida que tenho, senhora,
é só essa
Mas vou deixando esse peito sossegar

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Bússola

Jogue fora a armadura
Meus conceitos e loucuras
Jogue fora tudo que me faz lembrar..
Qualquer nota ou espelho
Uma foto ou qualquer meio
Qualquer jeito insuspeito
que me leve a pensar

Ando o tempo em melodia
Vida e mar é maresia
Mas nessa monotonia
a tempestade é o meu lugar
Joga a sorte pelo vento
Eu ando no teu movimento
Aponta a direção no dedo
que a bússola mostrar

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Cantiga retirante

E se pinga o pingo molhado

é sinal que a chuva vem vindo

Vento forte, maresia

Meu coração inundado

rezando pela travesia


E se o vento sopra arrastado

espalhando as flores de abril

Meu pobre coração alado

pulsante, indolente e febril

Esse infantil trovador apaixonado

só segue o que sua sina manda...


E chove, e inunda, e afunda

O que tiver que ser, será

Já diziam em uma ciranda,

Se por redemoinhos passar

E nas pedras miúdas cortar

Haverá de haver um abrigo

Um colo pra esse meu amigo

dormir e poder se encostar


Passa chuva passeando

Eu continuo cantando

Que é pro meu pranto secar

Passa chuva passeando

Eu inda vou navegando

Ancorando onde o mar me levar

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Lição da água

I


o
mar,

fêmea
possessa.

sua fala
de suave

lâmina
abissínia;

o ritmo
ondulado,

que flui
em espiral;

a precisão
especular

do teatro
aquático;

o secreto
pugilato

que sulca
as rochas.


II

o
mar,

leoa
furiosa,

ensina
ao poeta

sua arte
plumária;

a dança-
escultura

das vagas
incessantes;

a pulsação
do poema,

seus ciclos
menstruais.

o
mar

ensina
ao poeta

sua arte
sem arte.


[Cláudio Daniel]

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Gosto de doces, chocolates, sorvetes, perfumes, beijos e palavras. Adoro hambúrguer com maionese, adoro morder, principalmente quem eu gosto! Gosto de sonhos apesar de manter, na maior parte do tempo, meus pés no chão e gosto de dançar, mesmo sozinha, mesmo sem música, só dançar. De mar, de violão, de cantar, de aplaudir.
Muitas vezes pago pra vê as coisas acontecerem, e por mais que sinta medo na maioria dessas vezes, eu me encolho no canto da cama e espero o medo passar.
Entendo o passado como parte fundamental pra minha formação, o futuro como... o futuro, e o presente, ah, o presente sou eu. O presente é o que eu faço, pelo que eu luto e as coisas que eu deixo escapar, sendo que a ultima opção é realmente a última opção!
Tenho muitos amigos e alguns irmãos. Tenho uma irmã, nenhum cachorro e um padrasto.
Amo cantar quando Tâmara ou André tocam, atentar Cláudio dirigindo, puxar a orelha de Junior, tirar a sobrancelha de Alane e Thamires, imitar a voz de Carina, morder a mão de Silvana, ligar pra Vivi quatro horas da manhã, tranqüilizar Gracilene, dar conselho sobre roupas pra Jê, sair com tia Nara e reencontrar alguns amigos que me deixaram solta por ai.
Sou um pouquinho das pessoas que amo e eles são um pouquinho de mim também.
Assim, tão simples quanto indecifrável, profundo, banal, engraçado, singelo, triste, confuso e, acima de tudo, indefinível.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Lar, doce Larissa

Palavras espremidas do sertão das minhas falas
Ditas, cuspidas na sala e juntadas do chão
Pois não sou poeta, não sou cantor
Não sou artista, nem compositor
Mas tenho o mote, o lápis e o apontador
E um coração

Gotas espremidas do sertão do meu querer
Pingadas, escorridas pelo meu deserto profano
Afogando suas mágoas e lavando sua alma
Trazendo tempestade onde antes tinha calma
E tornando o que antes cabia numa palma
Em oceano

Faço verso, faço arte
Faço juras e faço verdades
Faço tudo pra não errar
Mas erro mais e mais
Faço guerra e faço paz
Enquanto você me faz

Se sou o que agora sou
É porque fui forjado no teu calor
Se onde havia pedra, hoje há emoção
É porque me esculpiu no carinho de tua mão
E além de tudo você ainda faz
Um oceano em meu coração


Cláudio Roberto Martins

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Entorpeção

Me dêem um cigarro,
Um copo de cola,
Um pouco de cola,
Um whisky passado.
Me dêem insulina,
Gardenal, penicilina
Qualquer coisa que se rima
E que amenize minha dor
Me dêem um trocado
Um perfume batizado
Ou um terço carregado
de oração a meu favor
Me dêem de repente
Uma alegria permanente
Um cobertor bem quente
Uma janela a meu dispor
Me devolvam meu retrato
O meu rosto, meu sapato
O meu bolso ainda furado
Um pouquinho de amor
Me dêem a essa gente
Me tratem indiferente
Transformem minha mente
Para não ser mais quem sou